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Votorantim lucra R$ 112 milhões no 3º trimestre de 2018

A Votorantim S.A. registrou lucro líquido de R$ 112 milhões no terceiro trimestre de 2018, ante os R$ 520 milhões obtidos em igual período de 2017. A receita líquida aumentou 22% entre julho e setembro deste ano, alcançando R$ 9 bilhões, em relação ao mesmo período do ano passado. Já o EBITDA ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,7 bilhão no trimestre, 30% superior ao obtido no terceiro trimestre de 2017, com margem líquida de 19%.

O resultado é explicado principalmente pela valorização do dólar frente ao real, que impactou positivamente na consolidação dos resultados das operações no exterior. A cotação média do dólar no trimestre foi de R$ 3,96, uma depreciação do real de 25% em relação ao câmbio médio do terceiro trimestre de 2017, de R$ 3,17.

Além da variação cambial, melhores preços nas operações de cimento no Brasil, maiores volumes comercializados de zinco, também no Brasil, e preços mais altos de alumínio em reais, contribuíram para a variação positiva na receita líquida e no EBITDA ajustado.

Apesar dos melhores resultados operacionais, a redução do lucro líquido na comparação com o terceiro trimestre de  2017 se deve principalmente à desvalorização do real na comparação dos períodos (Set/18: R$/US$ 4,00 | Jun/18: R$/US$ 3,86 contra Set/17: R$/US$ 3,17 | Jun/17: R$/US$ 3,31), e ao menor resultado oriundo das empresas reconhecidas pelo método de equivalência patrimonial – especificamente ao efeito da não contabilização dos resultados da Fibria, em decorrência do acordo fechado com a Suzano, em março deste ano.

“Apesar do ambiente econômico volátil, fomos bem-sucedidos no leilão de privatização da CESP, por meio da joint venture entre a Votorantim Energia e o CPPIB; e foi aprovado o projeto Aripuanã pela Nexa”, afirma João Miranda, CEO da Votorantim S.A. No caso da CESP, o investimento total da JV será de R$ 1,7 bilhão. Já Aripuanã, projeto de mineração de zinco no estado do Mato Grosso, possui investimento estimado de US$ 392 milhões. “Estamos constantemente avaliando oportunidades de investimento”, completa João Miranda.

 Investimentos

O CAPEX no terceiro trimestre de 2018 totalizou R$ 592 milhões, uma redução de 12% em relação ao mesmo período de 2017. Os projetos de expansão representaram 20% do total do CAPEX entre julho e setembro, o que sinaliza o fim de um ciclo de investimentos, que se iniciou em 2015. Do valor referente a novos projetos, 64% foram destinados à expansão da mina de zinco em Vazante (MG), da Nexa, e os 36% restantes foram investidos na finalização do projeto da Votorantim Cimentos em Charlevoix, nova planta de cimento que adicionou aproximadamente 6 mil toneladas de capacidade à região dos Grandes Lagos, nos Estados Unidos.

Alavancagem

A Votorantim S.A. encerrou o terceiro trimestre de 2018 com posição de caixa de R$ 10 bilhões, montante suficiente para cobrir os vencimentos das dívidas de mais de 5 anos.

A dívida bruta consolidada totalizou R$ 25,4 bilhões em setembro de 2018, 3% maior que a registrada em dezembro de 2017. Durante este período, apesar da liquidação antecipada de empréstimos e financiamentos, a dívida sofreu o impacto negativo da desvalorização do real frente ao dólar.

Já a dívida líquida totalizou R$ 15,3 bilhões, 24% maior do que a registrada em dezembro de 2017. A alavancagem financeira, medida pelo quociente dívida líquida/EBITDA ajustado, atingiu 2,59x, ante os 3,95x registrado em setembro de 2017, reforçando o processo de desalavancagem da companhia.

“Apesar das duas crises que vivenciamos no Brasil na última década, que fez com que a Votorantim operasse com uma estrutura de capital além da desejada pelo nosso acionista, estamos próximos de atingir nosso objetivo de alavancagem de 2x dívida líquida/EBITDA ajustado”, afirma Sergio Malacrida, CFO da Votorantim S.A.