Mensagem da Conselho de Administração 102-14

Da esquerda para a direita: Marcelo Medeiros, Luis Ermírio de Moraes, Cláudio Ermírio de Moraes, Raul Calfat, José Roberto Ermírio de Moraes, Pedro Wongtschowski e Oscar Bernardes.

O ano de 2018 foi muito especial para nós, da Votorantim. Além de completarmos 100 anos de história – feito incomum não só no Brasil, mas também em nível mundial – efetuamos alterações importantes em nosso portfólio. Ao mesmo tempo, o desempenho das nossas empresas investidas nos levou a resultados consolidados mais robustos que os do período anterior: a receita líquida expandiu 19%, totalizando R$ 31,9 bilhões, o Ebitda ajustado foi de R$ 6,9 bilhões e o lucro líquido totalizou R$ 2,0 bilhões, aumentos de 47% e 141%, respectivamente.

Depois de quatro anos consecutivos de retração na indústria cimenteira brasileira, a Votorantim Cimentos apresentou resultados operacionais positivos. As investidas Nexa, CBA e Citrosuco foram beneficiadas pelo aumento dos preços médios das commodities, combinado com a apreciação do dólar perante o real. Melhores preços de venda de aços longos na Argentina e na Colômbia contribuíram para o resultado deste negócio. Em energia, ampliamos nossa capacidade, em um setor que apresenta diversas oportunidades de investimento no Brasil, e criamos uma plataforma de investimentos em energia renovável com o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB). O Banco Votorantim aumentou sua eficiência operacional, diversificou fontes de receitas e investiu em sua transformação digital.

No que diz respeito à transformação do portfólio, focamos a redução da exposição a commodities cíclicas e aumentamos nossa exposição em setores com geração de caixa mais estável. Exemplos foram a transação envolvendo a Fibria – incorporada pela Suzano – e a aquisição da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), empresa que possui três usinas hidrelétricas, sendo a principal delas a Porto Primavera, que tem capacidade instalada de 1,5 gigawatt e cujo contrato de concessão se estenderá até 2048.

As decisões de alocação de capital ocorreram em um cenário turbulento no Brasil e repleto de incertezas. Atuamos em setores de capital intensivo e nossas deliberações sobre investimentos são tomadas com horizonte de longo prazo. Contribui para o nosso modelo de fazer negócios a governança corporativa, estabelecida sob padrões semelhantes aos das companhias listadas no que diz respeito a transparência, gestão de riscos e comunicação com os stakeholders. Influenciamos as nossas empresas investidas a seguirem esse mesmo modelo, mantendo, assim como nós, relações construtivas com os mercados, comunidades e com a sociedade em geral.

Nosso jeito de ser, agir, gerir e administrar as empresas investidas, baseado nos valores da família acionista, também é essencial aos negócios, conduzidos com ética e acompanhados por processos de compliance e controles internos. Zelamos para manter nossos princípios na evolução contínua da governança – necessária perante as mudanças no ambiente empresarial.

Buscando a evolução e a perenidade de nossos negócios, continuaremos avaliando oportunidades de investimentos, por meio da transformação do nosso portfólio atual em diversas geografias. Também avaliaremos não apenas os negócios já existentes, mas novas iniciativas. No Brasil, caminhamos para uma agenda de reformas importantes ao País, visando à sustentabilidade da dívida pública, ao crescimento econômico consistente e à geração de empregos.

Nesse contexto, a Votorantim iniciou 2019 com suas empresas ajustadas no que diz respeito à estrutura capital, o que a permitirá focar ainda mais na geração de valor.

Raul Calfat
Presidente do Conselho de Administração da Votorantim