Votorantim Cimentos

O gradual processo de recuperação da economia nacional, em ritmo abaixo do esperado após a greve dos caminhoneiros e as incertezas decorrentes das eleições, impactou as vendas de cimento no Brasil, cujos volumes recuaram 1,2% em relação a 2017, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Apesar dessa queda no mercado de cimento no Brasil no ano, a Votorantim Cimentos apresentou resultados positivos no País comparativamente ao ano anterior, além de melhor performance das operações no exterior. A companhia encerrou o exercício com receita líquida consolidada de R$ 12,6 bilhões, aumento de 15% em relação ao período anterior, e Ebitda ajustado consolidado de R$ 2,6 bilhões, evolução de 51% na mesma comparação. Em bases comparativas, excluindo eventos não recorrentes, houve elevação de 18%. No fim de 2018 foi aprovado pela Votorantim um aumento de capital no valor de R$ 2,0 bilhões, de forma a acelerar o processo de desalavancagem que já estava em andamento em decorrência do melhor resultado operacional. O aumento de capital, realizado em janeiro de 2019, fez com que a empresa, em base pro forma, alcançasse índice de alavancagem líquida de 2,8x.

Para além dos resultados, os destaques foram a conclusão do projeto de expansão da unidade de Charlevoix, nos Estados Unidos, adicionando 0,6 milhão de tonelada de capacidade. Outro marco foi a criação de uma holding não operacional em Luxemburgo para consolidar investimentos internacionais, o que resultará em benefícios como a alocação mais eficiente do caixa e da dívida entre as geografias. Em 2018 a empresa concluiu o desinvestimento em projetos no Peru e está em processo de conclusão do desinvestimento das operações da Índia, dando seguimento à estratégia de racionalização de seu portfólio de ativos e foco nos países com melhores perspectivas de geração de valor.

No Brasil, os movimentos mais relevantes foram a constituição da empresa Juntos Somos Mais, dedicada à fidelização e à prestação de serviços ao varejo; a aquisição de um Terminal Portuário em Manaus (AM), por meio do qual a companhia ingressa em uma nova região; e o crescimento de outros produtos, em especial o calcário agrícola. As iniciativas adotadas na área de logística também contribuíram para a evolução dos negócios em três frentes:

  • Aumento da participação de ferrovias e hidrovias na matriz de transporte.

  • Tecnologia e modernização das operações, com o desenho do modelo Inteligência de Fretes.

  • Negócios colaborativos, que incluiu a automação do processo de suprimento de estoque e o reposicionamento dos centros de distribuição.

Avançaram ainda a frente de coprocessamento, conduzida pela área de negócios AFR (Alternative Fuel and Raw Materials, ou seja, matérias-primas e combustíveis alternativos em inglês), que gera energia por meio da destinação adequada de resíduos industriais, comerciais e agrícolas coprocessados nas unidades da Votorantim Cimentos. Os negócios da área têm como pilares a competitividade (redução de custo marginal de produção de cimento), a geração de receita (venda dos serviços) e a sustentabilidade (redução de emissões de CO2 e do volume de materiais antes destinados a aterros). Líder no Brasil em coprocessamento, a companhia encerrou o ano com mais de 700 mil toneladas de resíduos processados e com 28% de substituição por combustíveis renováveis. O aumento do uso de AFR em substituição a combustíveis fósseis é uma estratégia global da Votorantim Cimentos, que evoluiu significativamente nas outras geografias, com projetos e incrementos no uso desses materiais na Espanha, Turquia e Tunísia.

Atenta à questão sustentabilidade, a empresa passou a ser vice-presidente da Iniciativa para a Sustentabilidade do Cimento (CSI), um esforço global que reúne as 24 maiores produtoras do setor para a busca do desenvolvimento sustentável. No final de 2018, a iniciativa foi substituída pela Associação Global de Cimento e Concreto (GCCA, do inglês Global Cement and Concrete Association), a qual a Votorantim Cimentos também integra como membro fundador.

No fim de 2018, a companhia anunciou que, depois de mais de cinco anos à frente da empresa, Walter Dissinger, CEO Global, comunicou seu desejo de se lançar a novos desafios. Para sucedê-lo foi anunciada a chegada de Marcelo Castelli, executivo que iniciou sua história na Votorantim em 1997 e ocupou diversos cargos executivos até alcançar posição de CEO. Castelli liderará a empresa, dando continuidade em sua trajetória de crescimento.